em experimentos

um desafio com que estou lidando no momento em que escrevo este texto é o vício em meu celular.

me refiro especificamente a esse impulso de toda hora ficar checando a tela para ver se tem alguma novidade, mas que na maioria das vezes só gera perda de atenção e tempo.

desde que me dei conta disso, venho testando algumas medidas que foram reduzindo essa dependência.

se você se identifica de alguma forma com essa situação e quer algumas idéias para testar e ver se também funcionam contigo, vem comigo nas linhas abaixo.

desligar as notificações do celular

não ter notificações no celular (por padrão) foi a primeira atitude que tomei.

os modelos de negócios digitais – principalmente os das redes sociais – são baseados em, de alguma forma, capturar nossa atenção, dados ou tempo.

isso, de forma direta ou indireta, é um etapa para que atinjam seus objetivos financeiros, o que, boa parte das vezes, não estão alinhados com o bom uso do meu tempo.

por bom uso do tempo, quero dizer usá-lo de forma intencional para atividades que realmente melhoram minha vida: resolver problemas, criar arte, fazer atividade física, me alimentar de forma saudável, cultivar relações e etc.

nesse cenário, minha solução foi desabilitar as notificações ao instalar qualquer novo aplicativo no celular.

o resultado foi que senti muito mais paz e menos ansiedade desde então.

não que eu não use mais notificações, mas eu escolho aquelas poucas que realmente me ajudam nos meus objetivos.

por exemplo, uso notificações no meu relógio para levantar da cadeira de tempos em tempos e para fazer meus rituais matinais .

para quem quiser testar essa abordagem, aqui vão aos tutoriais para desativar as notificações no iPhone e android.

criar um funil de teste para os apps

se desativar notificações indesejadas ajuda a reduzir a dependência do celular, deletar apps que não estamos usando efetivamente, por tabela, tende a gerar o mesmo efeito.

a forma como avalio se um app é realmente essencial para mim é criando um funil de teste de aplicativos na tela inicial.

o primeiro passo para construí-lo é organizar os aplicativos dentro de categorias para criar automaticamente um funil de duas etapas: apps desorganizados (etapa 1) e apps organizados (etapa 2).

os apps que entram na etapa 1 são os recém-baixados.

se passarem no período de teste, esse é o gatilho para irem para a etapa 2 e serem organizados em alguma categoria pré-existente ou nova, caso nenhuma antiga se encaixe.

o objetivo desse teste é verificar se o aplicativo recém-baixado realmente cumpre a expectativa inicial pela qual eu o baixei e obter claridade sobre como e quando será utilizado.

por exemplo, quando baixei o app do 12 minutos – que pertence à minha categoria de aprendizagem – minha intenção inicial foi ter uma ajuda para decidir melhor que livros, da minha lista, ler.

o fato dele não estar organizado dentro de nenhuma categoria ao ser baixado, me gera um gatilho para que eu teste se ele vai cumprir o que promote, como e quando usá-lo.

vicio em celular

tela inicial antes da categorização

então, em algum tempo livre em que estava no celular, eu ficava mexendo nele até responder a essas perguntas.

ao final de algumas semanas, cheguei à conclusão de que o app realmente me ajudava na decisão de leitura e que o usaria na hora de decidir a próximo livro.

em razão disso, avancei ele para a etapa 2 do funil, o que significa que ele passou no teste e, logo, o categorizei dentro dos meus apps de aprendizagem.

caso ele não tivesse passado no teste, simplesmente o deletaria.

para quem se interessou por essa abordagem e possui vários aplicativos no celular, recomendo que avalie se realmente precisa de todos eles.

reflita sobre o porquê, como e quando os utiliza.

isso não significa que você precisa usá-los todo dia, toda semana ou todo mês, mas que apenas tenha claro o propósito e contexto em que serão usados.

por exemplo, o app de lanterna uso geralmente quando vou acampar ou estou em um lugar escuro, o que não acontece com nenhuma frequência pré-estabelecida.

aqueles apps que realmente geram algum valor, agrupe-os em alguma categoria.

os que não, delete sem medo.

se você precisar deles, é só baixá-los de novo. eles não vão fugir da loja de aplicativos. 🙂

assim como estava acontecendo comigo, é possível que haja vários apps no seu celular que estão lá só consumindo espaço extra de memória.

às vezes, isso pode induzir a gente a comprar aparelhos com mais memória e gastar mais sem uma real necessidade.

antes, estava com a memória de 64gb estourando.

depois de fazer esse processo, mal passo dos 20 gb, ou seja, uso menos de 30% da capacidade do celular que achava pouca.

vicio em celular

essa tentativa foi muito bem sucedida pra mim e ganhei bem mais paz no uso do celular, pois esse funil me ajuda a manter apenas o que é essencial.

isolar apps de redes sociais

mesmo tendo desativado as notificações e organizado os apps, minha relação com o celular ainda não estava saudável.

cheguei a um ponto em que, pelo fato já ter criado um vício tão forte, eu nem precisava de notificações para retornar aos apps.

segundo o princípio descrito no livro o poder do hábito, isso acontece porque os likes, comentários e o simples fato de checar se existe alguma novidade em nossa timeline gera uma recompensa psicológica (tipo biscoitinho de cachorro) que fortalece o caminho neural dessa ação, que se torna um hábito.

diante disso, minha próxima tentativa foi de isolar os apps de redes sociais da minha tela inicial.

a premissa dessa abordagem é simples: quanto maior a dificuldade criada para acessar o aplicativo, menor a probabilidade de acessá-lo, simplesmente por gastar mais energia.

vicio em celular

isolando o skype, por exemplo

qualitativamente falando, o resultado foi que reduzi em 50% o uso das redes sociais com essa estratégia.

como ilustrado na animação acima, criei 3 deslizes de tela para acessar o skype a partir da tela inicial, onde ele estava originalmente.

com 3 telas já consegui sentir o resultado.

há pessoas que fizeram com 4 e até com 12 deslizes de tela, então vale testar o que funciona para ti.

apesar do relativo sucesso, infelizmente, o vício já estava bem enraizado, então, vez ou outra, eu ainda voltava a checar as redes apenas para comer meu “biscoitinho”.

isolar geograficamente o celular

como isolar os aplicativos não foi suficiente para acabar com a dependência, então testei isolar o celular geograficamente.

funcionou da seguinte forma: na minhas horas de criação e trabalho, eu isolava o celular do meu campo visual.

geralmente o colocava em outro cômodo da casa em que apenas poderia vê-lo ao sair do escritório.

o efeito foi que senti a redução do uso do aparelho fora do horário produtivo, mas, paradoxalmente, intensifiquei o uso nos intervalos.

ao invés de dar um descanso para meus olhos nessas janelas, eu continuava cansando minha vista olhando para o dispositivo, o que me atrapalhava na hora de voltar ao trabalho.

além disso, estava deixando de fazer tarefas domésticas que queria fazer com mais frequência como lavar os pratos, colocar o lixo para fora e outras coisinhas para cuidar melhor da casa.

então, meu problema continuava aberto…

tornar a tela do celular preto e branco

como última medida antes da mais drástica, até coloquei meu celular para ficar com tela em preto e branco, com a hipótese de que diminuiria os estímulos visuais e, por conseguinte, o uso.

na minha experiência, no entanto, foi a medida menos efetiva de todas, porque não senti essa diminuição de estímulo impactando significativamente na minha dependência do celular.

de qualquer forma, está aqui outra estratégia que talvez possa testar no seu iphone ou android.

desativar ou deletar os apps de redes sociais

como esta foi estratégia que realmente matou o meu vício, vou dedicar um texto inteiro apenas a ela.

olhando para o passado, lembrei inclusive da época do vestibular em que deletei minha conta do velho orkut o que, sem dúvidas, foi uma das atitudes que mais influenciou positivamente meus resultados positivos daquele ano.

foi justamente a época em que passei a ler mais livros e deixei de ser um aluno mediano, o que descrevi na minha história.

e você?

também sente algum tipo de dependência na sua relação com o celular?

já tomou alguma medida para tentar reduzí-la?

se sim, o que funcionou ou não pra ti?

adoraria trocar figurinhas contigo sobre isso!

de qualquer forma, continuo a segunda parte dessa história no próximo texto e deixo aqui meu convite para a reflexão sobre esse tema que é tão presente em nosso dia a dia.